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Uma visita especial e uma reflexão sobre a ancestralidade

Como o convite de uma educadora, virou um presente e materialização de um processo dentro do Pró
Visita indigena e ancestralidade

A história de hoje é narrada pela educadora Karina Alves e conta uma visita muito especial que recebemos no mês de junho deste ano.

“A professora Ágata, do grupo Camaleão, organizou junto à coordenação, a visita dos indígenas pertencentes ao Povo Fulni-ô, etnia que vive em Águas Belas, Pernambuco, no Nordeste brasileiro. 

Realizamos aqui no Pró, por meio da leitura, dos conteúdos de currículo e das brincadeiras, o resgate das histórias de nossos ancestrais, tanto daqueles que foram retirados de seu continente para operarem enquanto escravizados no país, quanto daqueles que já habitavam aqui quando os portugueses chegaram. 

A presença dos indígenas do Povo Fulni-ô no Pró foi de extrema importância para as crianças, pois viabilizou a construção de um outro imaginário. É sabido que o Ocidente construiu no imaginário social, logo cultural, símbolos caricatos dos povos originários, como por exemplo: os indígenas não possuem cultura, são selvagens, ignorantes e preguiçosos. A oportunidade das crianças conhecê-los materializou o processo que estamos tentando construir que é de ressignificação de identidades, de saberes, na tentativa de operacionalizar a construção de outros imaginários e de realocar a posição do negro e do indígena em outro campo dentro do saber das crianças. 

Indígenas da etnia Fulni-ô interagindo com crianças do Pró-Saber

Para além disso, realizar a conversa e a formação com eles, apenas com os professores e funcionários do Pró foi de fundamental importância para a consolidação também de processos de reconstrução e identificação nos adultos, para a produção de possibilidades de resistência e de valorização de nossa cultura e de nossa ancestralidade. 

Educação não é unicamente sobre aprender a ler as letras, mas também é sobre compreender como as palavras modelam, constroem, interditam ou expandem o mundo, e de como todas essas ações verbais se materializam e podem se materializar na realidade presente e futura.

Para mim, foi um presente e uma dádiva poder ouvir e aprender tanta beleza e resistência.

Me potencializou e regou demais.”

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Foto de crianças e voluntários (adultos) na praia, com o texto "Notícias"