Pró cria comitê para fortalecer ações antirracistas dentro da organização

Iniciativa reúne escuta, formação e práticas afirmativas para transformar as relações étnico-raciais na instituição
[30-02-25] - Capa do Blog - CERER_Prancheta 1

Em 2024, o Instituto Pró-Saber SP deu um passo importante rumo ao fortalecimento de suas ações antirracistas com a criação do CERER, o Comitê de Educação das Relações Étnico-Raciais. A iniciativa surgiu após uma série de formações voltadas à temática racial, inicialmente realizadas com a equipe pedagógica, a partir de demandas que surgiam na prática dos educadores. Com o tempo, foi reconhecida a importância de estender essas formações a toda a equipe da instituição.

Com a condução de Waldete Tristão, escritora, doutora em Educação e referência em estudos sobre relações étnico-raciais, o comitê foi se consolidando como um espaço de continuidade do letramento racial e de acolhimento de situações relacionadas ao tema dentro da instituição.

A formação teve como objetivo provocar reflexões internas e fomentar a construção de um ambiente mais justo, equitativo e coerente com os valores do Instituto. Foi nesse contexto que nasceu o CERER, pensado como uma resposta concreta à necessidade de olhar para dentro da organização e para as relações entre as pessoas que a constroem diariamente.

Com sede em Paraisópolis, território de população majoritariamente negra e periférica, o Pró entende que o compromisso com a luta antirracista deve atravessar todas as camadas da instituição, da gestão às equipes pedagógicas. O comitê surge como parte dessa resposta e tem como missão implementar políticas afirmativas e enfrentar o racismo sistêmico no cotidiano institucional.

O CERER é liderado por duas profissionais da casa: Angela Bueno, coordenadora de Operações, e Luana Andrade, coordenadora do programa de jovens. Para Angela, o comitê é um espaço de escuta ativa, acolhimento e segurança para que colaboradores possam compartilhar vivências e construir coletivamente, com viés de justiça racial.

“O CERER atua no apoio à construção de formações continuadas em educação das relações étnico-raciais, com base nas escutas do grupo. Também promove o letramento racial com um repositório colaborativo, que reúne indicações de leituras e referências culturais”, explica.

Ela destaca ainda que o comitê representa um avanço institucional no compromisso com a justiça racial e reforça a importância de espaços seguros para que histórias e denúncias sejam ouvidas com seriedade.

Apesar de recente, o CERER já promoveu uma série de ações dentro do Instituto. Entre as iniciativas, estão: formações sobre colorismo, comunicação não violenta, racismo e populações indígenas, entre outros temas trabalhados.

Ter o CERER é pensar em um movimento que envolve toda a organização, incluindo a comunidade, as crianças atendidas e os educadores. Para além dos colaboradores, as ações atravessam as salas de aula, as rodas de conversa com jovens e as trocas sobre identidade, pertencimento, autoconhecimento e compreensão das diferenças. O intuito do comitê é justamente esse: tornar o debate racial um tema transversal na instituição, presente nos produtos e nas equipes.

Além das atividades práticas, o comitê também se dedica a pesquisar e sugerir boas práticas que contribuam para uma cultura institucional mais comprometida com a equidade racial. A expectativa, em 2025, é fortalecer esse “embrião”, como o grupo define, ampliando sua atuação com mais formações, espaços de debate e construção coletiva de estratégias que promovam um ambiente verdadeiramente antirracista.

Com o CERER, o Pró-Saber SP reafirma seu compromisso com a transformação social não só por meio da educação das crianças e jovens, mas também por meio de práticas institucionais alinhadas à justiça e à equidade racial.

Veja mais

Se o título te chamou atenção, te convido a continuar lendo para ver que, se a gente se mexer, isso pode se tornar real.
Encontro promovido pelo Instituto Porto reuniu organizações sociais para refletir sobre captação, sustentabilidade e, principalmente, sobre o que podemos aprender quando compartilhamos experiências e olhamos para quem está construindo ao nosso lado.
Como o último encontro do Instituto Ambikira propôs um novo olhar sobre o impacto social a partir da escuta e da colaboração com as organizações apoiadas.