O que mudou em 10 anos no Pró-Saber SP: crescimento, impacto e o que os dados revelam

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Texto por Bruno Tavares

Estou no Pró-Saber SP desde 2021 e, todo ano, é a mesma coisa: eu quero ganhar o Prêmio Melhores ONGs de Educação.

Sim, eu falo na primeira pessoa.
Porque, mesmo sendo um desejo coletivo, virou algo pessoal para mim.

E todo ano, quando o resultado sai, eu fico bravo.
(E imagino que não sou o único.)

Este ano fiquei responsável por inscrever o Pró no prêmio e, pela primeira vez, havia espaço para ir além dos dados frios. Não era só preencher números. Era mostrar, de verdade, o que sustenta o nosso trabalho.

E aí entra uma coisa sobre mim: se você quiser me deixar feliz, me dê dados.

Muitos dados.

Eu gosto tanto disso que já deixei explícito no meu próprio LinkedIn: “Gosto de boas ideias, dados e de transformar isso tudo em decisões que façam sentido. Mas, no fim, o que mais me interessa são as pessoas.”

E foi exatamente aí que tudo fez sentido.

O que mudou em 10 anos no Pró?

Para responder essa pergunta, precisei voltar no tempo.

Busquei o relatório anual de 2015 e comecei a comparar com os dados atuais. E o que encontrei foi mais do que números. Foi uma história.

Nos últimos 10 anos:

  • O impacto anual do Pró cresceu mais de 550%
  • O investimento por beneficiário foi reduzido em cerca de 11%
  • Mesmo com uma inflação acumulada de mais de 100%, conseguimos aumentar escala e eficiência ao mesmo tempo

Sim, você leu certo.

Hoje, conseguimos impactar muito mais pessoas, gastando proporcionalmente menos por cada uma delas.

E quando ampliamos a lente, o cenário fica ainda mais impressionante.

Se compararmos os primeiros 13 anos do Pró com os últimos 10 anos, o impacto foi 14,7 vezes maior.

Crescer não é só aumentar números

Esse crescimento não aconteceu por acaso.

Ele só foi possível porque existe algo muito forte na base do nosso trabalho: escuta.

Escuta do território.
Escuta das crianças e jovens.
Escuta da equipe, que todos os dias lida com histórias reais, complexas e urgentes.

Foi essa escuta que permitiu que o Pró fosse além da sua sede.

Hoje, estamos presentes em 31 municípios, em 12 estados brasileiros, levando nossa metodologia para diferentes contextos educacionais.

Mais do que crescer, o Pró se transformou.

E o prêmio?

Eu não sei você.

Mas depois de levantar tudo isso, de olhar para essa trajetória com um pouco mais de distância, eu percebi uma coisa: se a gente não ganhar o destaque em educação este ano, tudo bem.

De verdade.

Porque organizar esses dados, enxergar o caminho percorrido e entender o impacto real do trabalho já foi, por si só, uma recompensa enorme.

Deu orgulho.
Deu alegria.
E deu ainda mais vontade de continuar.

Mas talvez o mais importante seja outra coisa.

Lá no começo eu falei que gosto de dados. E é verdade.
Eu gosto mesmo.

Mas, no fim, o que mais me interessa são as pessoas.

E, para mim, isso aparece com muita força nas sondagens de escrita do Pró Ler & Brincar.

Aquelas folhas cheias de tentativas, de letras ainda tortas, de palavras que estão quase lá.
Cada rabisco carregando uma história inteira.

São momentos que sempre me param.

Se você quiser entender melhor o que isso significa, eu já escrevi um pouco sobre isso aqui. (link)

E é aí que os números deixam de ser só números.

Porque por trás deles estão histórias como a do Pedro, do Gabriel, da Manu, da Marcia Felix, Samuka, Keth, Marciano, Joice e de tantas outras crianças, jovens e adultos que passaram pelo Pró e, de alguma forma, também passaram por mim.

Os números são lindos.
Mas é isso que faz tudo valer a pena.

(Agora… se a gente ganhar, vou ficar feliz. Claro.)

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Como o último encontro do Instituto Ambikira propôs um novo olhar sobre o impacto social a partir da escuta e da colaboração com as organizações apoiadas.