A leitura como ponte de transformação

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O período da tarde na biblioteca do Pró é um dos momentos mais movimentados do dia. Crianças circulam entre as estantes, jovens escolhem novas leituras, educadores organizam rodas e a contação de histórias reúne olhares atentos. A programação inclui lançamentos de livros com autores convidados, jogos antirracistas, leitura individual e empréstimos que fazem as histórias atravessarem os muros da instituição.

O espaço, além de bonito e acolhedor, guarda mais de 20 mil títulos e se consolidou como referência de lazer e acesso à cultura em Paraisópolis, a maior comunidade de São Paulo. Ali, cada livro emprestado é também um convite à imaginação, ao pensamento crítico e à construção de novos repertórios.

A biblioteca surgiu em 2019, a partir de uma necessidade concreta: a pouca disponibilidade equipamentos de leitura na região e de espaços dedicados à formação de leitores. Em um país marcado por desigualdades no acesso à cultura, iniciativas como essa ocupam um papel fundamental.

Os dados nacionais mostram o tamanho do desafio. Entre 2015 e 2020, o Brasil perdeu cerca de 764 bibliotecas públicas, passando de 6.057 para 5.293 unidades, segundo o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas. No Sudeste, o impacto foi significativo, com redução expressiva no estado de São Paulo. Cada biblioteca fechada representa menos acesso à informação, menos oportunidades de formação e menos espaços de convivência democrática.

Por isso, manter bibliotecas comunitárias ativas é uma urgência. E, mais do que acervo, esses espaços precisam de profissionais comprometidos com o acolhimento e a mediação de leitura.

Naudimar Pereira, bibliotecária do Pró desde 2023, resume esse compromisso ao falar sobre sua escolha profissional. Para ela, ser bibliotecária é acreditar no poder transformador da leitura. “É um ato de amor. É cuidar do conhecimento e, ao mesmo tempo, semear futuros”, afirma.

Ela reforça um desejo que ecoa diariamente entre as estantes: “Que nenhuma criança cresça sem acesso a livros, histórias e à presença de alguém que a ensine a amar a leitura. Que a leitura deixe de ser privilégio e se torne um direito garantido.”

Mais do que celebrar, é reafirmar um compromisso

No Dia do Bibliotecário, celebrar esses profissionais é também reafirmar um compromisso coletivo com a democracia e com o direito à leitura. Em um território como Paraisópolis, onde o acesso a equipamentos culturais ainda é limitado, a biblioteca se torna espaço de encontro, escuta, imaginação e pertencimento.

Cada mediação de leitura, cada indicação de livro, cada criança acolhida no balcão de empréstimos é um gesto que amplia horizontes. Bibliotecas não são apenas depósitos de livros — são territórios de possibilidade.

Que existam mais bibliotecas em todos os espaços. Que existam mais bibliotecários e bibliotecárias comprometidos com o cuidado, com o conhecimento e com o futuro. Porque quando uma biblioteca permanece aberta, a comunidade inteira segue aprendendo, criando e transformando realidades. 

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Se o título te chamou atenção, te convido a continuar lendo para ver que, se a gente se mexer, isso pode se tornar real.